20080524

CARTAS DE AMOR ESTÃO EM DESUSO/ CREIO EU

Há alguns anos atrás, vestida em salto, cheia de idéias de mudanças deixei de almoçar no refeitório de um Hotel. Lá, diariamente comia, bebia um copo de suco e passeava por um centro de móveis para casa. Às vezes fazia as unhas por lá. Então, cansada da rotina, com vontade de escolher meu próprio menu, decidi cruzar a avenida pela passarela, nos saltos que na época ainda eram sustentados por meus pés, até o Shopping center mais próximo. Voltei à primeira vez e me encontrei encantada com um t-al-moço. E assim se foi, tinha virado freguesa deste tal lugar. No Hotel, havia uma mesa, a qual me sentava para estagiar e atender grandes personalidades. Ali dentro, era o início do grande sonho, tudo funcionava com perfeição e satisfação. E assim, aprendi a diversas formas de comunicação. Enfim, um dia o qual, depois de grandes semanas de platonicismo, decidi me revelar. Mas, você não estava lá. Continuei indo, e nada. Depois reapareceu. E todo o outro dia também, me sentia feliz quando a hora do almoço chegava. Até que em um formoso dia ensolarado, recordado em meu antigo diário que por mudanças repentinas, já não se encontra aqui ao meu lado, você me convidou para o teatro. Era quase um mês de junho com julho coisa assim. O encantamento tornou-se entusiasmo, aliás você tem este ligeiro jeito de entusiasmar a pessoas, sendo assim os dias se correram do teatro surgiu um convite para acampar, bom esse eu não poderia ir, prova, trabalho, não entrava no meu estilo alinhado da época, Lavras Novas por três dias era mais que poderia sonhar. Você foi, você voltou e eu ansiosa com a perspectiva de ligar. Então surgiu a oportunidade, uma festa, num sítio, todos os meus amigos legais. Então fomos, nós e o seu amigo da cicatriz. Perdidos jogamos sinuca no bar ate conseguir contato com a casa. Ao chegar um caminho iluminado nos levou a fogueira. Frio de lascar, te emprestei uma blusa, você em seus vinte anos cheio de testosterona queria me levar para as bananeiras. E eu, ainda menina, só pensava nos conselhos da mamãe. Grande dia aquele. Depois foi meu aniversário, te convidei cheia de esperanças e nada, - então vamos cantar os parabéns! – partimos o bolo e você chegou. Chamou-me lá fora e entregou um lindo anel de pérolas, aconselhado por sua irmã, já que não sabia o que presentearia nesta situação, você contou. Que felicidade! Logo então um dia era seu aniversário. Foi lá embaixo do seu prédio conheci sua família, creio que já nesta época já fazia colares, pois falou sobre as presilhas hoje tão bem emolduras(Isso foi depois, na época do Dalí). Mais uns dias se passaram e enfim, assistimos Tudo sobre minha mãe. Não entendi muito na época, mas sempre fui assim, falo que sei, mas não sei e aprendo. No sofá lembro que você disse entre muitos amassos, deixa só um pouquinho, e eu amarrei. Então por fim, você disse não queria namorar agora. Mas, não me lembro bem, teve um dia de um delicioso bolo de chocolate, Hum!!! Mais que delicia! Sumimos um do outro. Eu então desapareci, e reapareci com uma rosa e um cartão com dizeres a um principezinho para não esquecer dos que cativantes durante a vida. Se esse livro fosse a bíblia todos seriam felizes. Antes de viajar te encontrei no Circus uma festa diferente. Então viajei, por lá vivi, aprendi muitas coisas. Quando voltei, sem querer voltar todos estavam aqui, inclusive você, presente de minha mãe. Romântica, não? Mas todos nós temos fazes rebeldes. E por ai foi. Você viajou com sua incrível invenção e construiu uma vida. Lembro ainda de te encontrar em um aniversário e presenteá-lo com o livro de Dalí que você tanto gostou. Por aqui, fui seguindo e encontrando caminhos de expressar minhas vontades. Saí de casa, para casa dos fundos de papai, onde minha avó mora hoje em dia. Comecei a trabalhar em um bar, para me divertir e descolar uma grana extra. Aí, um dia conheci BlueBird, por acaso em um bar, ele era muito forte, e eu e meus amigos de estágio estávamos a brincar sobre a moda jujitsu. Nada mais que uma ligeira pergunta. Não o vi desde então. Todavia no caminho para o bar onde trampava, avistei, ao longe, você. Na subida da Leopoldina falando ao telefone. Logo mais perto, escondida atrás de meu capuz verde musgo, percebi, não era você. Passei direto. Dois passos depois ouço uma voz a me chamar, meu coração gelou. -Thaís. Era o Bluebird, ele não sabe deste detalhe. O danado tinha descoberto meu nome e andava me procurando. E assim começou a historia entre eu e este camarada. Mais uns anos se passaram, nós nos separamos. A vida prosseguiu, você me encontrou...E agora José? Nossa continuação é ainda difícil de processar, será que essa distancia que sinto de você agora é a distancia do fim? Desculpe, por qualquer despreparo meu em seu ateliê, foi um vago deslize feminino de alguém que ainda embriagada por decepções recentes mais euforias de visitas e mudanças não agiu racionalmente, mas sim em impulsividade. Ainda gostaria de sentir muitas cócegas em beijinhos e outras novas formas de contato com você! É, o que acha? Por entre os pontos e vírgulas existem ainda outras histórias antigas. Mais, antes de tudo, um futuro de grande outras também. Leia com carinho. Tenho curiosidade em saber como vai, se já deixou de ser ilegal na cidade, se já começou seu roteiro de viagem. O que vai dar de presente para sua mamãe. Coisas qualqueres de um amigo ou mais Q. Este é um novo começo você pode escolher.


Beijim
Thaís

Um comentário:

Cris Moreno disse...

Legal. Gostei.As pessoas marcam, não é? Podemos ter várias experiências, mas sempre fica "aquela", não é mesmo? Boa sorte.

Beijos.