20080630

Cirurgia Moral

Ao Dani


Equilibrio! Venha a Nós!


Saca Só!

Cidade do Sol Poente

Na cidade do Sol Poente, as avenidas se transformam em um grande rio dourado. As nuvens resplandescem um rubro aboxechado que provoca a terna lembrança da canela como suco de saliva. Na cidade do Sol Poente habita uma bela gata de patas cinzas pelos negros e juba avermelhada. Como grande gatuna, transita em nobres pontos da cidade, deita em lugares proibidos, sobre em árvores centenárias. Bela entre as mais belas, a gata chamega entre as gamas dos que esqueceram se de suas barbas. Como um layout eles a acariciam sob a luz da lua sorridente. Se esquecem de quem são, e se deixam levar por milhoes de palavras que gostam de pronunciar sobre os mais divesos assuntos. Vossiferam palavras e praticam atitudes ilegais, mau eles sabem que a gata da cidade do Sol poente está apenas ali presente para que possam sussurrar seus mais breves segredos. Para que possam representar suas mais profundas açoes. Num palco de gatos pardos, a doce gata da alvorada, reluz entre outras, mas poucos sabem que ela não é um sonho. Que não é somente uma lembrança terna. Poucos sabem que ela somente ela pode ser a felina mais feminina das noites frias dos que habitam na cidade nascente.

Ternura

Vinicius de Moraes


Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentado
Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras dos véus da alma...
É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta, muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade o olhar
[ extático da aurora.


Texto extraído da antologia "Vinicius de Moraes - Poesia completa e prosa", Editora Nova Aguilar - Rio de Janeiro, 1998, pág. 259.

20080627

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Café Carioca

uma noite assim como qualquer outra onde o secreto cintilar dos brilhos se misturam na fantasia. Os franceses usam cores noir, as francesas não usam calcinha. para uns. Seus cabelos sao naturais. Sofisticado é ser sério com o que se faz, é totalmente atraente, é se alimentar nas horas vagas, daquilo que te faz bem e o nutrirá para um amanha mais produtivo. sempre sempre sempre sem parar. Nas noites de poesia no café carioca, abaixo Manuel Bandeira foi de longe o mais apaudido!

Trem de Ferro


Café com pão
Café com pão
Café com pão
Virge Maria que foi isso maquinista?
Agora sim
Café com pão
Agora sim
Voa, fumaça
Corre, cerca
Ai seu foguista
Bota fogo
Na fornalha
Que eu preciso
Muita força
Muita força
Muita força
(trem de ferro, trem de ferro)
Oô...
Foge, bicho
Foge, povo
Passa ponte
Passa poste
Passa pasto
Passa boi
Passa boiada
Passa galho
Da ingazeira
Debruçada
No riacho
Que vontade
De cantar!
Oô...
(café com pão é muito bom)
Quando me prendero
No canaviá
Cada pé de cana
Era um oficiá
Oô...
Menina bonita
Do vestido verde
Me dá tua boca
Pra matar minha sede
Oô...
Vou mimbora vou mimbora
Não gosto daqui
Nasci no sertão
Sou de Ouricuri
Oô...
Vaou depressa
Vou correndo
Vou na toda
Que só levo
Pouca gente
Pouca gente
Pouca gente...
(trem de ferro, trem de ferro)
(Manuel Bandeira in "Estrela da Manhã" 1936)
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